Saturday, November 11, 2006

Muita calma nessa Hora....


As linhas férreas japonesas são muito bem distribuidas. Pode-se viajar para qualquer lado e para qualquer lugar utilizando os serviços de trem. A maioria das estações já possuem infra estrutura para receber deficientes físicos sejam eles deficientes visuais ou na cadeira de rodas. A maioria das estações conta com um serviço de informações em inglês. Dentro dos trens a coisa não é muito diferente. Um sistema muito bem estruturado informa os passageiros da situação das outras estações no caso, para as pessoas que necessitam fazer baldeação, horário previsto de chegada, número das plataformas, em japonês e inglês, enfim, não deixa muito a desejar.


Agora,vamos mudar um pouquinho, e falar dos "usuários". Aqueles seres estranhos que vivem correndo para cima e para baixo, sempre com um horário pré- determinado para se chergar ao destino final. Prestem atenção e observem que a coisa muda totalmente de figura quando eu vou de "Serviços Disponibilizados das linhas Férreas" para "Os Usuários". Bom, a coisa toda já começa errado logo de manhã , quando você vê aquela correria dos japoneses nas escadas para alcançar o trem que já esta fechando as portas na plataforma. O indivíduo atordoado, desculpem a expressão , praticamente se "joga" dentro do vagão e quando não, acaba enroscado na porta quase fechada. Para que isso tudo ? Não seria mais fácil acordar mais cedo? Ou será que essa correria toda todos os dias , tem algum fundamento? Eu confesso que adoro a cara que eles fazem quando correm, correm e dão de cara com a porta do trem fechada. Eu geralmente fico em pé perto da porta para evitar tumulto também na hora de descer, e que vontade que eu fico de dar tchauzinho para ele de dentro do trem.

São esses indivíduos que geralmente na pressa de alcançar o trem, passa por você a milhão, e não faz cerimônia em lhe dar bolsadas, encontrões e esbarrões. Quando acontece comigo, eu mando pra PQP ! Não quer perder o trem ? Acorda mais cedo e não se fala mais nisso. Agora, nada melhor que um Happy Hour com os amigos depois de um estressante dia de trabalho certo ? Errado ! Não quando se trata dos famosos "Salary Mans" ( determinação em inglês para designar os engravatados ) . Eles consomem mais álcool que um Santana 89 e depois tomam o trem normalmente para casa. E eu não preciso beber para chegar em casa embriagado também. Os vagões exalam mais álcool que um alambique. Beber por tabela....fala sério!!

E como não podia ser diferente, para quem depende de trem para ir ao trabalho todos os dias, eu tenho presenciado vários fatos inusitados. Há alguns dias atrás, entrei no trem em Takadanobaba sentido Otsuka , que é onde fica o escritório, e me deparei com um japonês de camisa branca, gravata, calça social que lia tranquilamente um jornal . Mas isso é normal não é ? Seria normal se o dito cujo não estivesse de suripa (uma sandália japonesa usado dentro de casa ) e sem meias . E vocês acham que ele estava ligando pros olhares curiosos dos estrangeiros ? (os arredores de Tokyo estão cheio deles, professores de inglês, militares, turistas, enfim , aos montes ) que nada, e nem pelo meu que creio eu , devia estar mais com ar de indignação do que de espanto.


E para finalizar, venho reparando que as pessoas parecem estar mais solidárias uma com as outras. Logo que cheguei aqui , era muito difícil você ver uma pessoa se levantar e dar lugar a um idoso por exemplo. Tenho presenciado muito esse tipo de cena ultimamente. Eu não tenho problemas em ceder meu lugar a alguém que parece necessitar mais do que eu. Principalmente a velhinhos. E eles devem notar isso em mim, uma vez que entram nos vagões lotados, e vão parar bem na minha frente. Mas isso também quando dou sorte de estar sentado. Mas há aqueles que se "ofendem" com a oferta. No meu caso pelo menos, ainda nenhum deles se ofendeu quando lhe ofereci o assento. Mesmo porque eu também faço uma auto-avaliação de velhinhos. Se ele não for tão velhinho assim, eu nem falo nada. Mas quando são aqueles velhinhos que dão um passo para frente e dois para trás, eu levanto na hora. Porque afinal, um pouco de educação e bom senso não fazem mal a ninguém.

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