Wednesday, November 28, 2007

E se fosse no Brasil?



Quando fiz esse blog, meu intuíto era atualizar esse espaço toda semana. Mas como podem observar, ele passa por uma atualização na mesma proporção que eu arrumo meu quarto.
Que cara é essa? Tá achando que meu quarto é uma zona? Num cubículo que mal cabe uma cama, e o meu desktop, não há tanta coisa pra se arrumar desde que eu mantenha a ordem.
Aqui estou eu digitando diretamente de Kanagawa ken. Continuo achando que em termos de tecnologia, a melhor coisa que se inventou depois do computador foi o notebook. Claro, posso carregá-lo para onde for e usar o wireless station pra me conectar ao mundo mesmo na sala de espera de um hospital. Bom mas isso é assunto pra outro post.
Queria relatar uma coisa que aconteceu comigo algumas semanas atrás. No meu horário habitual de almoço, lá fui eu feliz e saltitante ( tá, esquece o saltitante !! ) ao supermercado que tem bem próximo ao escritório comprar o maravilhoso obento. Sempre achei aquele supermercado diferente. Só tem velho!! Isso mesmo!! Geriatria em peso. Sempre desviando de uma velhinha na entrada que não sabe se entra ou se continua fitando o espinafre - Mais adiante mais dois velhinhos cada um de um lado do corredor. O Senhor de cabelos bem branquinhos arruma a posição dos seus óculos pra tentar enxergar melhor o rótulo do produto que tem em mãos sem muito sucesso. O que faz com que o outro velhinho talvez por piedade ou por provocação mesmo, tente ajudar o seu igual tentando ler o que diz a embalagem. Também não consegue e ficam ali, trocando uma "idéia" sobre aquele produto obstruindo a passagem. Desvio deles e dou de cara com duas velhinhas que decidem prosear bem na seção de alimentos. Sempre saia de lá bufando....mas num dia desses fiz minhas compras e voltei pro escritório munido com meu lanchinho feliz e saltitante ( táaaaa retira o saltitanteee q droga !! ) satisfeito, voltei ao trabalho. fim de expediente- olhei o relógio 22:00hs. Esperei minha colega de trabalho e caminhamos juntos até a estação. Cheguei lá e senti falta da minha carteira.
Como esquecer coisas como Ipod, chaves e celular no escritório é uma coisa quase que habitual minha, despedi-me da minha colega e subi correndo de volta pra pegar a danada. Claro, na minha cabeça, eu a tinha deixado no escritório.
Procurei na minha mesa, revirei a cozinha, o banheiro e até o lixo !! Nada !!
Era o fim. Tinha todos os meus documentos incluindo carteira de motorista, Meu GT que é como um RG de estrangeiros aqui no Japão, cartão do Tsutaya, Meu cartão de seguro médico. Salvo meu Cash Card que ficou em casa justo nesse dia pois era dia de pagode. Já pensou se eu tivesse sacado todo o dinheiro como sempre costumo fazer? Mas sabe o que mais me doia? Os documentos era só tirar de novo. A carteira era da Prada ! Mesmo que tivesse perdido seria difícil de achar. Mesmo aqui no Japão essa carteira vale muito. Na volta passei no posto policial só pra fazer uma ocorrência caso uma alma caridosa a recolhesse. Afinal, estava no Japão. Fui pra casa acabado. Fui ver na internet quando estava saindo uma de segunda mão....fiquei mais acabado ainda quando me deparei com o preço dela nova. Algo em torno de ¥49,000 igual a R$818,83 . Mas quando deitei minha cabeça no travesseiro, tentei lembrar qual tinha sido a última vez que tinha pego a carteira. Lembrei-me que havia feito compras e retornado em seguida ao escritório. Então só poderia ter deixado lá.
Levantei-me mais cedo que o habitual e fui direto ao supermercado.Cheguei ao caixa nervoso pois sabia que se ninguém a tivesse achado por ali, provavelmente nunca mais a encontraria. O supermercado como sempre lotadíssimo. Acho que tirando as casas de repouso para idosos, aquele supermercado é o lugar onde mas se encontra velhinhos.
Pedi licença a pessoa que aguardava na fila pra fazer a pergunta fatal - Alguém aqui ontem a tarde, achou alguma carteira? - De imediato a atendente disse que sim e perguntou-me quando havia esquecido. Falei pra ela que tinha sido no dia anterior e era da Prada. Ela deu um pulo. Parou de atender a moça pra me pedir desculpas !! Pasmem !! Disse que uma pessoa encontrou no balcão e a entregou no caixa na noite anterior. Ela pedia desculpas pois disse que ia ligar pro número que havia encontrado entre meus documentos. Pedia desculpas por não ter ligado a tempo e por ter feito eu me preocupar. Quase surtei. Fui EU que esqueceu a carteira lá. EU quem estava errado e devia pedir desculpas pelo transtorno. Mas ela chamou a gerente que pediu que eu esperasse. Passado alguns minutos ela retornou trazendo em mãos a minha Prada. E assim como a atendente do balcão curvou-se a pedir desculpas. Sai de lá feliz e saltitante ( saltitante simmm ! queria ver se você não ia saltitar depois disso....) para mais um dia de trabalho.
Agora quando eu voltar lá e encontrar um velhinho tentando decifrar o que esta escrito na embalagem de algum produto, vou fazer o que já deveria ter feito há muito tempo - Passar lhe o número do meu oftalmo que diga-se de passagem é um ótimo especialista e com certeza vai poder ajudar o pobre velhinho a fazer as compras do dia com muito mais eficiência.
Brincadeiras a parte, claro que eu ia ajudar o velhinho com as suas compras. Na verdade, senti um Puta orgulho de carregar nas minhas veias o sangue japonês. Pelo fato de existir pessoas honestas e pela extrema educação e respeito que os japoneses tem com seus clientes.

Arigatou Nihon!

1 comment:

Kiyomi, a.k.a. Piggy said...

Já imaginou se isso acontecesse na terrinha? Se encontrasse os documentos e olhe lá!
Olha, uma coisa eu digo: ainda bem que existe gente honesta nesse mundo...
Mas da próxima, vê se amarra a carteira na cinta, gruda o iPod no pescoço e o celular no peito...
Não, celular no peito, não. Você viu o que aconteceu na Coreia do Sul? Então...
Abraços da fiel leitora oinc-oinc.